A vida dá umas voltas tão longas e sinuosas que costuma nos deixar confusos. Recebi o
convite para escrever nesse blog sobre criação. Fiquei feliz, afinal tal proposta veio de um
camaradinha que tenho acompanhado há tempos. Contudo, uma dúvida mordaz, dessas
que nos tiram o sono tal como um pernilongo insistente em uma noite quente, veio à minha
mente: como será meu primeiro texto?
Falarei sobre os motivos de ter escolhido essa área? Ah, não sei se as pessoas estão
interessadas em saber que sempre gostei de desenhar e inventar histórias. Isso é coisa boba.
Afinal que beleza haveria em dizer que a criação é meu refúgio? Que não só as imagens, mas as palavras me encantam com sua capacidade de transformar a realidade.
“Já sei”, pensei. “Falarei das dificuldades dessa área”. Poxa, jogar um balde de água fria
em futuros profissionais? Dizer para eles que muitas vezes terão de fazer algo de que não
gostaram (ou não gostam) porque o cliente prefere assim. Ou então dizer que ficarão horas a fio dentro da agência trabalhando em uma campanha e receber de volta um pedaço de pizza fria de seu chefe? Não. Me recuso falar sobre isso. E que tal falar sobre os processos criativos? É, pode ser uma boa ideia. E se pensarem que isso é uma receita de bolo? Pensando melhor, não.
Confesso, fiquei horas pensando em que escrever. Cheguei a cogitar a ideia de sair correndo e me esconder embaixo da minha cama enquanto segurava meu cobertor favorito, mas minha mãe me xingaria se eu fizesse isso.
Foi então que resolvi me desligar e recorri ao bom e velho Harrison* que gentilmente me
presenteou com suas palavras:
“Give me Love
Give me love
Give me peace on earth
Give me light
Give me life
Keep me free from birth
Give me hope
Help me cope, with this heavy load
Trying to, touch and reach you with,
heart and soul”
Foi aí que eu entendi que meu primeiro texto deveria falar da paixão que eu sinto por essa
área. Porém não poderia dizê-lo simplesmente. Teria ser de uma forma lúdica, quase épica, irônica e que fizesse refletir no final como toda boa propaganda faz.
Criação não é para ser quadrada, tem de ser fluida, dinâmica e capaz de passar a mensagem para seu público de forma eficaz. O resto são as voltas que a vida dá.









